segunda-feira, 27 de julho de 2015

Guia de observação e fotografia de aves

     

Segundo a CRBO (2014) há hoje no Brasil 1901 espécies identificadas, divididas em 103 famílias, dados que possivelmente em breve sofrerão novos ajustes com novas descobertas. Essa biodiversidade não seria a mesma se o Brasil não fosse um país tão biodiverso, ou seja, com grande riqueza de habitats como a Floresta Amazônica e principalmente a Mata Atlântica que acolhe mais de 890 espécies de aves, cerca de 45% de todas as espécies encontradas no Brasil. Destas aves encontradas na Mata Atlântica 231 são endêmicas, 24% (FAPESP, 2014). Dados preocupantes considerando que segundo os principais órgãos ambientais do Brasil e do mundo restam apenas 7% da formação original deste bioma.

O Planalto de Poços de Caldas encontra-se na região do domínio fitogeográfico da Mata Atlântica, (IBGE, 2015), no entanto com uma proximidade muito grande com o cerrado. Predominado por florestas Alto-montanas e Montanas (VELOSO, RANGEL FILHO, LIMA, 199) tendo também Matas de Galerias e Campos de Altitude (Guimarães et al, 2008) e por fim dentro de uma caldeira vulcânica (LEINZ & AMARAL, 1989) todas essas características ambientais obviamente influenciam profundamente a sua flora e fauna e consequentemente à avifauna, um bom exemplo local é a Pedra Branca no município de Caldas, MG, considerada de especial interesse a preservação devido à grande quantidade de espécies da fauna e da flora ameaçada de extinção e ao alto índice de endemismo, (CONFORTI ET AL 2007, cit IBAMA 2004). Não menos importante está a Serra de São Domingos grande patrimônio natural.

Considerando todas as listagens realizadas dentro do Planalto e excluindo as de ocorrências duvidosas há hoje dentro do Planalto 321 espécies entre residentes e migratórias divididas em 64 famílias, destas 4 espécies constam como ameaçadas de extinção conforme Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (2008): Anthus nattereri (Am), Amadonastur lacernulatus, (Vu), Taoniscus nanus (Vu) Coryphaspiza melanotis (Vu). Da lista de espécies ameaçadas do Estado (Minas Gerais, 1996) 8 espécies constam na compilação de ocorrência regional, conforme a Biodiversitas (2014): Ajaia ajaja (Vu), Anthus nattereri (Vu), Mycteria americana (Vu), Taoniscus nanus (Vu), Dysithamnus plumbeus (Vu), Falco deiroleucus (Ep) e Phibalura flavirostris (Vu). Além das espécies ameaçadas existem outras bastante interessantes como seja pela beleza como pela raridade como o Ilicura militaris, Pyroderus scutatus, Micrastur ruficollis, Campephilus robustus, Heliothryx auritus entre muitas outras.

Todas estas aves estão espalhadas nos diversos habitats dentro do Planalto de Poços que inclui também cidades vizinhas, veja a lista das aves abaixo, para saber o roteiro de como e onde encontrá-las entre em contato.

Além de apaixonado por aves tenho experiências em pesquisas com avifauna, já trabalhei em diversos levantamentos e projetos envolvendo aves e atualmente trabalho como auxiliar de pesquisas pela Fundação Jardim Botânico de Poços, onde juntamente com o Biólogo Eric Williams desenvolvo um levantamento quali-quantitavo na RPPN Rio das Antas, Poços de Caldas, MG. Também estou desenvolvendo o primeiro guia fotográfico de aves do Planalto de Poços de Caldas, para ver mais fotos visite a página http://fotografoedersongodoy.blogspot.com.br/2013/04/aves-do-sul-de-minas-gerais.html. / http://www.wikiaves.com.br/perfil_godoy2015 Veja algumas abaixo algumas das principais aves que ocorrem na região, para saber o roteiro de como encontrá-las entre em contato.



Referências

http://www.taxeus.com.br/listamaisinformacoes/2582


http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/03/10/asas-da-mata-atlantica/


http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira.html


Listas das Aves do Brasil, Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO)



11ª Edição, 01/01/2014, www.cbro.org.br
http://www.biodiversitas.org.br/atlas/aves.asp


VELOSO, H.P., RANGEL FILHHO, A.L.R.,LIMA,J.C.A., Classificação da vegetação Brasileira adaptada a um sistema universal. Rio de Janeiro; IBGE,1991, 88p.


GUIMARÃES, J.C.C., VAN DEM BERG, E., CASTRO, G.C., MACHADO,E.L.M., OLIVEIRA FILHO, A.T. Dinâmica do Componente Arbustivo Arbóreo de uma Floresta de Galeria Aluvial de Poços de Caldas, MG, Brasil. Revista Brasileira de Botânica. V 31. N.4 P 621-632, 2008.


LEINZ, Victor. AMARAL, SERGIO ESTANISLAU.. Geologia Geral. São Paulo.Editora Nacional, 1989.


Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção pág 585

bacurau-chitã (Hydropsalis longirostris)
barranqueiro-de-olho-branco (Automolus leucophthalmus)
Bico-de-pimenta (Saltator similis)
caminheiro-de-barriga-acanelada (Anthus hellmayri
Choca-da-mata (Thamnophilus caerulescens)
chupa-dente (Conopophaga lineata)
gavião-de-rabo-branco (Geranoaetus albicaudatus)
gavião-peneira (Elanus leucurus)
maçarico-de-costas-branca (Himantopus melanurus)
João-murucutu (Bubo virginianus)
Juruva-verde (Baryphthengus ruficapillus)
vira-folha (Sclerurus scansor)
maria-preta-de-garganta-vermelha (Knipolegus nigerrimus) 
pica-pau-rei (Campephilus robustus
príncipe (Pyrocephalus rubinus)

sanhaçu-frade (Stephanophorus diadematus )
surucuá (Trogon surrucura
 Tiê-do-mato-grosso (Habia rubica)
 falcão-caburé (Micrastur ruficollis)
tangará-estalador (Ilicura militaris)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

PRIMEIRO REGISTRO DE Jabiru mycteria (Lichtenstein, 1819), (Ciconiiformes Bonaparte, 1854: Ciconiidae Sundevall, 1836) PARA A MESORREGIÃO SUL E SUDOESTE DO ESTADO DE MINAS GERAIS, BRASIL

Artigo publicado como banner no XII Congresso de meio ambiente de poços de caldas. 
Jabiru mycteria
Ederson José de Godoy(1);  João Paulo de Lima Braga(2); Eric Arruda Williams(3)

(1) Técnico em Meio Ambiente (Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas – Departamento Técnico-Científico), Rua: Paulo de oliveira, nº 320, Parque Véu das Noivas, Poços de Caldas, Minas Gerais. Endereço eletrônico:
(2) Engenheiro Agrônomo (Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas – Diretor do Departamento Técnico-Científico). Endereço eletrônico:
(3)Biólogo (Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas – Departamento Técnico-Científico). Endereço eletrônico:ericarudawilliams@hotmail.com


Resumo - (Primeiro registro da espécie Jabiru mycteria (Lichtenstein, 1819), (Ciconiiformes Bonaparte, 1854: Ciconiidae Sundevall, 1836) para o Sul e Sudoeste do estado de Minas Gerais, Brasil) O presente estudo tem como objetivo incluir um novo táxon à riqueza específica da avifauna da mesorregião Sul e Sudoeste do estado de Minas Gerais, através de registro realizado no dia 3 de março de 2014, às 09h12min, no município de Congonhal, Minas Gerais, Brasil. A ocorrência da espécie Jabiru mycteria (Lichtenstein, 1819) foi constatada através do avistamento de dois indivíduos em ambiente de várzea às margens de riacho afluente do Rio do Cervo, nas coordenadas 22° 09’29.13”S e 46° 04’ 58.39”O (DATUM WGS84) a ocorrência foi documentada através de registro fotográfico. Este novo registro de ocorrência para um táxon até então não documentado para estas regiões demonstra que há a necessidade de maiores esforços para caracterizar a diversidade da avifauna.
Palavras-chave: Novo registro. Avifauna. Minas Gerais. Sul e Sudoeste.

Introdução
A família Ciconiidae Sundeval, 1836 está representada no Brasil pelas espécies Ciconia maguari (Gmelin, 1789), Mycteria americana Linnaeus, 1758 e Jabiru mycteria (Lichtenstein, 1819), (CBRO, 2014). A família Ciconiidae é caracterizada por suas espécies possuírem bico muito grande, com formato diverso, plumagem branca ou branca e preta. Não apresentam dimorfismo sexual, porém os machos possuem maior porte e geralmente alguma diferença no formato do bico (Sick, 2001).

Dentre os três táxons representantes da família Ciconiidae no Brasil, podemos destacar a espécie Jabiru mycteria (Lichtenstein, 1819), popularmente conhecida como Tuiuiú ou Jaburu, por apresentar 107 cm de altura, envergadura de 260 cm e peso de 8 Kg, podendo ser considerada a maior ave brasileira após a espécie Rhea americana (Linnaeus, 1758) (Sick, 2001; Sigrist, 2013). A espécie também se caracteriza por apresentar bico colossal, levemente curvado para cima. Partes nuas negras e occiput com penas brancas e pescoço dilatável com base vermelha (Sick, 2001; Willis & Oniki, 2003).

A espécie Jabiru mycteria apresenta hábito alimentar onívoro, tendo com hábitat lagos, represas, pântanos, brejos e campos alagados onde caça presas aquáticas atulhadas e pequenos répteis terrestres. Possui também hábito necrófago, por vezes sendo avistada juntamente com Coragyps atratus (Bechstein, 1793) alimentando-se de animais em decomposição (Sick, 2001; Sigrist, 2013). Sua reprodução é solitária, não em colônias; constrói seu ninho em árvores geralmente isoladas, reutilizando-o por vários períodos reprodutivos (Sigrist, 2013).
Jabiru mycteria
Segundo Sigrist (2013), Frisch & Frisch (2005), Willis & Oniki (2003) e Sick (2001) a espécie possui ampla distribuição no Brasil, mas sua população está concentrada no Estado do Mato Grosso, preferencialmente, no bioma Pantanal. Mesmo a espécie apresentando grande amplitude de ocorrência no território brasileiro, até o momento nenhum registro de ocorrência foi documentado para as regiões Sul e Sudoeste do estado de Minas Gerais, Brasil, (Vasconcelos et al, 2002; Moura et al, 2010; Lombardi et al, 2007a; Lombardi et al, 2007b; Manhães & Loures-Ribeiro, 2011; Corrêa, 2008; Ribon, 2003; Moura & Corrêa, 2011; Williams & Liberalli, 2014; Lara et al, 1990).

O presente trabalho objetiva apresentar a documentação do registro de Jabiru mycteria (Lichtenstein, 1819) para a mesorregião Sul e Sudoeste do estado de Minas Gerais, Brasil. Incluindo assim um novo táxon à riqueza específica regional.

Material e Métodos
A mesorregião Sul e Sudoeste do estado de Minas Gerais (Figura 1) abrangem 146 municípios e está localizada no sudeste do Brasil, o clima, conforme a classificação de Köppen é do tipo CWA, apresentando temperatura média anual de 19,4 C° e precipitação média anual de 1.529,7 mm (Ometto, 1981). A região está sob o domínio fitogeográfico dos biomas Mata Atlântica e Cerrado (Monteiro Filho, 2012; MMA, 2002).

 Figura-1: Mesorregiões do estado de Minas Gerais.
Fonte: Governo do estado de Minas Gerais.

Com intuito de não apenas caracterizar e preservar a flora, o departamento Técnico Científico da Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas dedica esforços ao estudo da fauna regional, mais especificamente, à avifauna; realizando juntamente às coletas botânicas, campanhas dedicadas à caracterização da riqueza específica da avifauna do Planalto de Poços de Caldas e região, contando, para isso, com o auxílio de equipamentos como: Binóculos Nikon Monarch 8X40 e Nikon Action 8X40, gravador Tascam DR-40, microfones Sennheiser ME-67 e ME-66 e equipamento fotográfico Cannon EOS 5D Mark II com objetiva 100-400mm.

Resultados e Discussão
Em consequência dos esforços dedicados à caracterização da diversidade da avifauna ocorrente no Planalto de Poços de Caldas e regiões adjacentes, no dia 3 de março de 2014, às 09h12min, no município de Congonhal, Minas Gerais, Brasil, foi registrada a ocorrência da espécie Jabiru mycteria.
O município de Congonhal (22°09'13.21"S e 46°02'27.06"O / DATUM WGS84) está a uma altitude que varia entre 1.437 m e 866 m (Figura 1) e possui divisas com os municípios de Pouso Alegre, Ipuiuna, Borda da Mata, Senador José Bento e Espírito Santo do Dourado  (Prefeitura Municipal de Congonhal, 2014).

Dois espécimes de Jabiru mycteria (Lichtenstein, 1819) foram avistados em ambiente de várzea às margens de riacho afluente do Rio do Cervo, nas coordenadas 22°09'29.13"S e 46°04'58.39"O (DATUM WGS84) a ocorrência foi documentada através de equipamento fotográfico Cannon EOS 5D Mark II com objetiva 100-400mm (Figuras 1 e 2).

 Segundo Sigrist (2013), jabiru mycteria vem sofrendo com a perda de seu habitat, conseqüência da degradação de rios, matas ciliares e aterramentos de pântanos e banhados, tornando-se, assim, cada vez mais restrita a algumas regiões do Brasil. Portanto, este registro de ocorrência pode ser o resultado da degradação de seu habitat original e o indicador da busca de novas áreas em substituição à anterior.
Mesmo a espécie não apresentando dimorfismo sexual, provavelmente os espécimes observados tratam-se de um casal pelas características apresentadas. Observou-se que os espécimes forrageavam no local, porém suas presas não puderam ser identificadas.  Não foi registrada a presença de outros indivíduos nas proximidades.

Conclusão
Este novo registro para a ocorrência de um táxon até então não documentado para a mesorregião Sul e Sudoeste do estado de Minas Gerais, comprova que a área mesmo sendo razoavelmente inventariada, necessita de maiores esforços para caracterizar sua biodiversidade, esforços esses que acrescentarão novas informações sobre os aspectos biológicos regionais e, consequentemente, incrementarão o conhecimento já adquirido sobre a avifauna brasileira.

Por conseguinte a este registro, estudos devem ser realizados com o intuito de esclarecer se há uma população residente na região ou se a espécie a utiliza como ponto de repouso migratório, em ambos os casos a preservação da espécie, localmente, estará intimamente relacionada à conservação das microbacias regionais.

Referências bibliográficas
CBRO – Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. 2014. Lista das aves do Brasil. 11° Edição. Disponível em <http://http://www.cbro.org.br/CBRO/pdf/AvesBrasil2014.pdf>. Acesso em: 07 de set. 2014.

Corrêa, B. S. 2008. Avifauna em fagmentos florestais e corredores ecológicos no município de Lavras - Minas Gerais.Tese de mestrado. Universidade Federal de Lavras. 132 p.
Frisch, J. D. ; Frisch, C. D.2005.Aves brasileiras e plantas que as atraem. 3 ed. São Paulo: Editora Dalgas Ecoltec.

Governo do estado de Minas Gerais. 2014. Mesorregiões e microrregiões do estado de Minas Gerais. Disponível em: <http://www.mg.gov.br/governomg/ecp/contents.do?evento=conteudo&idConteudo=69547&chPlc=69547&termos=s&app=governomg&tax=0&taxp=5922>. Acesso em: 09/09/2014.
Lara, A. I.; Straube F. C.; Antonelli-Filho, R; Paccagnella, S. G.; Motta, J. T. W. 1990. Lista das aves do planalto de Poços de caldas, Minas Gerais. ALCOA. Poços de Caldas.
Lombardi, V. T.; Santos, K. K.; Neto, S. D.; Mazzoni, L. G.; Rennó, B.; Faetti, R. G.; Epifânio, A. D.; Miquel, M. 2012. Registros notáveis de aves para o Sul do estado de Minas Gerais. Cotinga. nº 34. p. 32-45.

Lombardi, V. T.; Vasconcelos, M. F.; Neto, S. D. 2007a. Novos registros ornitológicos para o centro-sul de Minas Gerais (alto Rio Grande): municípios de Lavras, São João Del Rei e adjacências, com a lista revisada da região. Atualidades Ornitológicas on-line. Nº 139.

Manhães, M. A. & Loures-Ribeiro, A. 2011. Avifauna da Reserva Biológica Municipal Poços D’Anta, Juiz de Fora, MG. Biota Neotropica, vol. 11, nº 3.

MMA. Ministério do meio Ambiente. 2002.<http://mapas.mma.gov.br/mapas/aplic/probio/datadownload.htm?/mata_atlantica/mapas_pdf/cartas_imagem/250000/>.Folha: SF-23-V-D, SF-23-Y-B, SF-23-V-C, SF-23-Y-A.  Acesso: 10/09/2014.

Monteiro Filho, C. J. et al. 2012. Manual Técnico da Vegetação Brasileira. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em:<ftp://geoftp.ibge.gov.br/documentos/recursos_naturais/manuais_tecnicos/manual_tecnico_vegetacao_brasileira.pdf>. Acesso: 10/09/ 2014.

Moura, A. S. & Corrêa, B. S. 2011. Novos registros ornitológicos para o município de Lavras, sul de Minas Gerais, Brasil. Atualidades Ornitológicas 160: 18-19.
Moura, A. S.; Correa, B. S.; Braga, T. F. Gregorin, R. 2010. Lista preliminar da avifauna da A.P.A. Coqueiral e primeiro registro de Tytura inquisitor no sul de Minas Gerais, Brasil. Revista Agrogeoambiental.

Ometto, J. C. 1981. Bioclimatologia Vegetal. São Paulo: Agronomia Agroceres. 440p.
Prefeitura Municipal de Congonhal. 2014. Disponível em:<http://www.congonhal.mg.gov.br/>. Acesso em: 08/09/2014.
Ribon, R. 2003. Aves em fragmento de Mata Atlântica do sudeste de Minas gerais: incidência, abundância e associação à topografia. Tese de mestrado. Instituto de Ciências Biológicas. Universidade Federal de Minas Gerais. 123p.

Sick, H. Ornitologia Brasileira. 2001. 4. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira S.A.

Sigrist, T. 2013. Guia de Campo avis brasilis: Avifauna brasileira. 3º. ed. Vinhedo, São Paulo. Editora Avis Brasilis.

Vasconcelos, M. F.; Neto, S. D.; Brand, L. F. S.; Venturini, N.; Filho, A. T. O.; Costa, F. A. F.; 2002. Aves de Lavras e municípios adjacentes, Sul de Minas Gerais, e comentários sobre sua conservação. Unimontes Científica. Montes Claros, V. 4, n. 2.

Williams, E. A. & Liberalli, G. M. M. 2014. Estudo quali-quantitativo e trófico da avifauna da Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas. Revista Regnellea Scientia. n°. 1, vol. 1. p. 11-22.
Willis, E. O.; Oniki, Y. 2003. Aves do Estado de São Paulo. Rio Claro, São Paulo. Editora Divisa.



terça-feira, 28 de abril de 2015

Contatos de 1ª grau.




E evidente que grande parte dos problemas ambientais provém da nossa falta de conhecimento e interação com a natureza, essa distância não só nos deixam indiferentes aos outros seres, como também nos causam medo e insegurança em presença da natureza e em especial com outros animais.
            A visão é um dos sentidos mais importantes para os humanos e por isso, a fotografia pode ser uma excelente opção para nos aproximar e nos introduzir novamente com o selvagem nos sensibilizando e ensinando por meio de sua informação e encanto, sobre tudo quebrando o paradigma de superioridade que temos de outras criaturas.
            O olhar atento do fotógrafo o leva aos primórdios quando ainda era caçador e caça, através do olhar é possível compreender e admirar toda a complexa e perfeita trama da vida, com sua intimas e delicadas inter-relações entre todos os seres incluindo nós, humanos, em nossa gaiolinha de concreto.

            O fotógrafo é um pesquisador, um observador, por diversas vezes me deparei com situações inusitadas, curiosas e com valiosas informações ao mundo acadêmico, e mesmo que não tenha conseguido o restrito fotográfico fui testemunho ocular de fatos e situações fundamentais ao conhecimento humano, enriquecendo minhas experiências e relações interpessoais.
            O primeiro fato inusitado que consegui registrar foi um (bentevi) Pitangus sulfuratus, regurgitando uma semente, esse fato me deixou mais atento, depois disso percebi que mais duas espécies com o mesmo hábito; o (sabiá-laranjeira) Turdus rufiventris, e a (tesourinha) Tyranus savaca, que regurgita as carapaças dos insetos do qual se alimenta. Em outra situação testemunhei uma família de (bugios) Bugio aloutta, usando exatamente de um mesmo ponto para defecar, literalmente fizeram uma fila para usar o banheiro. Outra situação surpreendente foi achar um casal de (gambás-de-orelha-preta) Didelphis aurita se alimentando de uma serpente, com certeza abatida por eles.

            Entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2015, realizei pela Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas um trabalho de pesquisa de Aves Dispersoras da Protium heptaphillum (almecegueira), durante o trabalho de campo que envolveu observações diretas diversas vezes deparei com situações privilegiadas de conhecimento pessoal e acadêmico, como por exemplo, ver o Coereba flaveola (cambacica) se alimentando dos frutos da almecegueira, até aí tudo bem, a não ser pelo fato da espécie ser conhecida como nectívora pelos biólogos, ou seja, uma ave que se alimenta principalmente do néctar das flores, assim como os beija-flores. Além desta constatação pude ver de perto a importância das aves para a floresta e vice versa. Como é delicada, complexa e perfeita a teia da vida! Todas estas curiosas situações despertaram interesse e me motivaram ao um contato mais próximo com o mundo natural.
Coereba flaveola se alimentando de frutos
            Não acredito que serão os fotógrafos de natureza, pesquisadores e amantes da natureza que salvarão o planeta, pois estamos bem longe disso! O homem depende da natureza para sobreviver e a natureza não necessita do homem para se conservar, o que a natureza precisa é que olhemos como parte dela e não como recursos naturais ou na melhor das hipóteses como algo apenas contemplativo. 


Veja o vídeo com depoimentos de grandes fotógrafos sobre suas relações e observações sobre a natureza. 

http://fotografoedersongodoy.blogspot.com.br/2013/09/fotografos-de-natureza-cacadores-da-alma.html


Coleção de Gesneriaceae

Sinningia magnifica, os beija-flores são os principais polinizadores da família. 
     A Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas, visando à preservação ambiental e a conservação das riquezas naturais, em especial da flora e ainda, atendendo a Resolução do Conama Nº 266, de agosto de 2009, artigo 6º, inciso VI (possuir coleções especiais representativas da flora nativa, em estruturas adequadas) possui atualmente várias coleções de plantas vivas (Bromeliáceas, cactáceas, pteridófitas, orquidáceas...). Neste mesmo intuito e com devido apoio técnico de especialistas também comecei a coletar e organizar no jardim plantas vivas da família Gesneriaceae, incorporando ao jardim uma nova coleção.
            A família Gesneriaceae é composta por cerca de 140 gêneros e 3.500 espécies. No Brasil existem cerca de 22 gêneros e 220 espécies (Barros et al, 2010). No planalto de Poços de Caldas, até o momento foram encontradas e identificadas seis espécies pertencentes na grande maioria ao gênero Sinningia, sendo apenas uma espécie ainda não identificada, porém, todas já estão incorporadas a nova coleção.
            Naturalmente a família ocorre em ambientes rupestres, campos e áreas úmidas, representada por ervas, arbustos terrestres e epífitos, tendo alguns gêneros bem exigentes quanto à preservação ambiental, o que explica o fato de várias espécies fazerem parte da lista de espécies ameaçadas de extinção, conforme CNCflora/ IUCN e a Lista da Flora Ameaçada de Extinção de Minas Gerais.  Um bom exemplo é a Sinningia striata, que é descrita como vulnerável e descrita como endêmica de Minas Gerais. Esta espécie é comum emm formações rochosas da região acima de 1400m de altitude.

Todas as espécies são ornamentais e embora a coleção seja nova e ainda em fase de adaptação, já está disponível à visitação.

Referências:


DE BARROS, M. J. G.; MANSANO, V. F, & CHAUTEM A, (2010) Comparações florísticas e taxonomia da família Gesneriaceae no Parque Nacional do Itatiaia, Brasil, Hoehnea 37(1): 131-145, 3 tab., 4 fig., 2010




http://www.biodiversitas.org.br/florabr/mg-especies-ameacadas.pdf

Seemannia  sylvatica (Kunth) Roalson & Boggan (1)

Sinningia aggregata (Ker Gawl.) Wiehler


Sinningia alogophylla (Mart.) Wiehler

Sinningia elatior (Kunth) Chautems


Sinningia magnifica (Otto & A.Dietr.) Wiehle


Sinningia striata (Fritsch) Chautems
Coletando material vivo. 


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Foto No G1

Fotógrafo Ederson Godoy flagra beija-flores em verdadeiro “duelo de titãs”
Briga do rabo-branco-acanelado e bico-reto-de-banda-branca foi em MG.
Internauta é morador de Poços de Caldas, no sul do estado mineiro.

No dia 20/02/2015 tive esta foto publicada no GI, o texto original e foto segue abaixo.


O primeiro tem o nome de rabo-branco-acanelado (Phaethornis pretrei). Por vezes é chamado também de rabo-branco-de-sobre-amarelo. O segundo, é conhecido por bico-reto-de-banda-branca (Heliomaster squamosus). Em comum, além da beleza, eles têm “sangue quente” e não se fazem de rogados quando o assunto é defender seus territórios. Ederson Godoy, morador de Poços de Caldas (MG), pode conferir de perto o que chamou de “duelo de titãs”. E tem toda razão. Tanto que a energia desse enfrentamento está expressa nas imagens. Mas vale dizer: o rabo-branco-acanelado ainda tem uma curiosidade interessante sobre sua natureza intempestiva.  Durante o voo pré-nupcial, por exemplo, o macho costuma promover uma demorada perseguição à fêmea, executada a pouca altura, dentro da mata fechada. E ambos piam sem parar.  Segundo informações do livro Ornitologia Brasileira, de Helmut Sick, a espécie é abundante no Leste e no Centro do Brasil, e ocorre também do Maranhão a Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso. Já o bico-reto-de-banda-branca (Heliomaster squamosus), endêmico do Brasil, é comum no leste e sudeste do País. Super obrigada, Ederson Godoy, por mostrar mais essa façanha desses belos exemplares da fauna brasileira. (texto original do G1 http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/especiais/noticia/2015/02/fotografo-ederson-godoy-flagra-beija-flores-em-verdadeiro-duelo-de-titas.html



Foto publicada. 


Adicionar legenda

segunda-feira, 16 de março de 2015

1º Seminário de Fotografia e Observação da Natureza

 Silvestre Silva passando dicas de fotografia e Botânica.

Conforme o programado aconteceu no dia 14 de março de 2015, o primeiro Seminário de Fotografia e Observação da Natureza de Poços de Caldas, idealizado pelo grupo de fotografia Aondê - Fotografia e Observação da Natureza em Parceria com a Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas.
O evento ocorreu no auditório da FJBPC, onde houve a palestra do ilustre fotógrafo da Natureza e escritor Silvestre Silva falando sobre os desafios da sua carreira e passando dicas preciosas de fotografia, botânica e observação da natureza. O premiado fotógrafo da natureza e pesquisador Marcelo Santana abordou sobre a estética da fotografia comparando a fotografia científica e artística, também falou sobre o projeto no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), Amazônia, MS, do qual faz parte como pesquisador e fotógrafo,  desenvolvendo um dos mais importantes trabalhos com primatas do mundo.
Marcelo Santana respondendo dúvida dos participantes. 
Além das palestras houve sorteio de um livro sobre frutas brasileiras de autoria de Silvestre Silva e dois pôsteres do Fotógrafo Ederson Godoy. Concluindo o evento os participantes fizeram uma caminhada fotográfica sob as orientações de Santana, Silvestre e Godoy onde receberam dicas de fotografia, observação e comportamento na natureza.
Este foi o primeiro evento realizado pelo grupo de Fotografia Aondê, que tem intuito de unir fotógrafos e amantes da natureza, promover cursos, seminários, workshops e passeios fotográficos, disseminar o interesse pela fotografia e pela preservação da natureza.

 
Abertura do evento com o Presidente da FJBPC, Jorge Jabur.

Silvestre Silva Palestrando.

Marcelo Santana Palestrando

Marcelo Santana

Ricardo Costa foi premiado com o livro de Silvestre Silva


Danilo, Luan, Godoy e Ricardo 
Passeio fotográfico (foto P.A)

Passeio fotográfico


Dicas de Botânica de Silvestre Silva

Silvestre Silva

Além de dicas de fotografia os participantes receberam preciosas dicas de botânica. 

Participantes praticando macro fotografia. 

Participantes praticando macro fotografia. 


Participantes e ministrandes do 1º seminário de Fotografia e Observação da Natureza.