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terça-feira, 14 de março de 2017

Uru-capueira (Odontophorus capueira)


O uru, ave galliforme da família Odontophoridae.

Casal de urus fotografados num fragmento florestal em Caldas- MG

         O uru é um pequeno galináceo encontrado em toda área leste do Brasil, do Nordeste ao Sul, além das áreas fronteiriças de Paraguai e Argentina (Wikiaves 2017),  Esta ave deixou de ser uma abundante aqui no sul de Minas devido principalmente a caça predatória e a destruição de habitas, hoje é encontrada em pequenos bandos em alguns fragmentos isolados.
         Encontrada no solo de florestas densas, clareiras, matas de araucárias e matas subtropicais onde é vista aos pares ou em grupos familiares. São aves territorialistas quando assustadas fogem correndo pelo solo, se escondendo pela vegetação densa, ou mesmo voando, quando em locais mais abertos.
         Sua alimentação ainda não é totalmente conhecida sabe-se que se alimentam de alguns frutos, sementes, artrópodes e pinhões, sementes da Araucaria angustifólia o qual corta a casca e alimenta-se da semente.


         Nidificam no solo, em buracos cavados por outros animais como tatus, por exemplo, ou constroem uma cabana de folhas secas onde botam em média 5 ovos. Seus filhotes são nidífugos. Procriam nos primeiros meses do ano, no período seco (RODA, 2008).
Desafios para fotografá-la

         O uru é uma ave extremamente arisca que habita os solos florestais, por isso, fotografá-la não é tarefa fácil, pois além dos desafios técnicos há também os desafios naturais estabelecidos pelo bicho e pela floresta. O primeiro grande desafio é encontrá-la e descobrir sua rotina ou seu território, isso pode ser feito observando as marcas deixadas no solo, já que ela tem o hábito de ciscar a serrapilheira em busca de alimento. Se tiver muita sorte encontrará ao acaso ou pelo seu canto, que sempre é antes do dia amanhecer, mas se é muito provável que ela perceba nossa presença bem antes de visualizá-las.
         Como a ave habita o subosque aonde a luz quase não chega o próximo desafio é superar isso, flash ou outras fontes de luzes artificiais não funcionam, pois a ave é muito arisca e com certeza vai se assustar com as luzes que denunciaram sua presença. O indicado é fazer uma camuflagem de madeira ou pano e montar a maquina num tripé para poder usar uma velocidade mais baixa sem gerar fotos tremidas, mesmo assim, o ISO muito provavelmente vai ser sacrificado a não ser o uru seja atraído para um local com exposição de luz direta ou que tenha uma teleobjetiva com abertura de 1.8 (f) ou menos, mais isso custa caroo!!
         Com tudo isso providenciado é só se esconder e esperar, para multiplicar as chances use iscas, como milho ou pinhão. Dificilmente conseguirá êxito já no primeiro dia, é aconselhável deixar a camuflagem armada por um dois dias para que os bichinhos se acostumem com o objeto estranho, por mais natural que fique ainda sim vai ser notado e vai gerar estranheza em primeiro momento. Espere.

         Abaixo um pequeno vídeo caseiro e as fotos conseguidas depois de 3 dias de espera. 



A ave é extremamente arisca, como todos animais grupais sempre há um que fica a espreita enquanto os outros se alimentam.
Casal de urus descansando ao sol.

Veja a matéria produzida pelo Terra da Gente sobre esse fragrante no link abaixo:
http://redeglobo.globo.com/sp/eptv/terradagenteeptv/videos/t/edicoes/v/uru-e-ave-dificil-de-avistar/5833497/

https://youtu.be/f2qq61BzwWw
Referências:


SICH, H. Ornitologia Brasileira, Rio de Janeiro, RJ, 2001.
SICK, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira.
SIGRIST. T, (2013) Avifauna Brasileira, Guia de Campo Avis Brasilis, Vinhedo, SP.
http://www.biodiversitas
http://www.wikiaves.
RODA, S. A. Odontophorus capueira plumbeicollis Cory, 1915. In: MACHADO, A. B. M; DRUMMOND, G. M.; PAGLIA, A. P. (eds). Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Volume II. 1.ed. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente, 2008. p. 440 - 441.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Bugio-ruivo (Alouatta guariba)



Bugio-ruivo (Alouatta guariba) Ecologia- Comportamento alimentar e Social


            Entre 23 e 26 de dezembro fiz um trabalho de estudo comportamental sobre o Bugio-ruivo, para a matéria de Etologia do Curso de Ciências Biológicas do IF de Muzambinho. Abaixo algumas informações sobre o animal e o vídeo resumindo os comportamentos observados nesse período.


            O Alouatta guariba é um primata da família Atelidae conhecido popularmente como bugio ou bugio-ruivo, endêmico da Mata Atlântica cuja distribuição vai do Rio Grande do Sul até a área litorânea de toda região Sudeste, leste de Minas Gerais e sul da Bahia (Reis et al, 2014). A espécie se encontra como “Criticamente Ameaçada” de extinção pela Lista Oficial das Espécies ameaçadas de Extinção do Ibama (RYLANDS & CHIARELLO, 2008) e na Lista Vermelha da IUCN como “Quase ameaçada” (Reis et al, 2014).


            O Bugio-ruivo é uma espécie que vive em pequenos grupos que varia de 3 a 13 indivíduos no qual há um macho alfa invariavelmente maior, podendo atingir mais de 7 kg de pelagem ruiva, a espécie apresenta dicromatismo sexual que fica mais evidente na fase adulta, no qual as fêmeas são enegrecidas com tons de cinza.
            O guariba a exemplo do gênero apresenta vocalização forte e bastante evidente que pode ser ouvida de longe por outros indivíduos e grupos vizinhos, o que representa parte importante de seu sistema comunicativo, aponta (Ludwig, 2006) citando outros autores (AURICCHIO, 1995; CALEGARO-MARQUES & BICCAMARQUES, 1997; SUSSMAN, 2000; OLIVEIRA, 2002). Vocalização possivelmente utilizada como demarcação de território e em contato visual com outros grupos ou com possível ameaça notada algumas vezes em resposta a cachorros domésticos.

            O gênero Alouatta apresenta hábito frugívoro, para CHIANELLO (1992) o gênero é oportunista, mas tem sua dieta baseada principalmente em folhas, que em observações verificou-se preferência por folhas novas, com isso a espécie tem capacidade de sobreviver mesmo em pequenos fragmentos florestais observado também por GOMMEZ, (1999) & REIS, (2014).
            Devido aos hábitos alimentares do gênero todas as espécies são arborícolas com raras exceções de deslocamento no solo, podendo acontecer em mudança de fragmentos e para beber água (Silva et al 2005). Existem ainda vários registros de deslocamento em fiação elétrica e em cerca de arame farpado podendo acontecer nestes casos acidentes principalmente em fiações elétricas quando ao tocar os dois fios o animal sofre uma forte descarga elétrica, normalmente neste caso os acidentes são fatais.
            Os bugios também são considerados animais dispersores de sementes, mesmo os frutos não sendo parte principal de sua dieta ainda sim são consumidos e depositados normalmente em pontos relacionado com suas paragens de descanso, estes locais funcionam como “banheiro” para o grupo, a explicação deste hábito ainda não é conhecida, o que se sabe é que nestes locais há presença de insetos, scarabaidae do grupo dos caloptera conhecidos popularmente como “besouro-vira-bosta” que espalha e enterra algumas sementes junto às fezes dos animais contribuindo assim para a germinação destas sementes.
Sementes dispostas na fezes do Alouatta e o besouro "vira-bosta"

Besouro vira-bosta interagindo com sementes dispostas nas fezes.

Abaixo o linque do vídeo com um resumo dos principais comportamentos alimentar social e ecológico do Alouatta

https://www.youtube.com/watch?v=n3Rf-SpLk6k&t=28s


Referências

Reis, R.N et al. 2014. Mamíferos Terrestres de Médio e Grande Porte da Mata Atlântica. Technical Books, Rio de Janeiro, RJ.

Rylands, A.B.; Chiarello, A.G.Official list of Brazilian Fauna Threatened Witch Extinction -2003, Neotropical Primates, Washington, v.11, N.1, pag.43-49, 2003.

LUDWIG, G. 2006  Área de Vida e Uso do Espaço por Alouatta caraya (humboldt, 1812) em Ilha e Continente do Alto rio Paraná. Dissertação de mestrado Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2006. 

Chiarello, A. G. 1992. Dieta, padrão de atividade e área de vida de um grupo de bugios (Alouatta fusca), na reserva de Santa Genebra. Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas SP.

Gómez, A. M. S. 1999. Ecologia e comportamento de Alouatta seniculus em uma mata de terra firme na Amazônia Central. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

Silva,B.A; Guedez G.P,. Boubli.J.P; Strier.B.K. 2005  Deslocamento Terrestre e o Comportamento de Beber em um Grupo de Barbados (alouatta guariba Clamitans cabrera, 1940) em Minas Gerais, Brasil, Neotropical Primates 13(1), April 2005.

abaixo o vídeo resumindo os principais os principais comportamentos do bugio-ruivo

https://youtu.be/n3Rf-SpLk6k

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/fauna/noticia/fotografo-filma-bugio-vocalizando-no-interior-da-mata-em-caldas-mg.ghtml

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/videos/t/edicoes/v/comportamentos-dos-bugios/6135233/

sábado, 8 de março de 2014

Conhecendo o Parque do Itatiaia


O Parque do Itatiaia é o parque mais antigo do Brasil criado em 1937, no governo de Getúlio Vargas. O Parque esta situado na Serra da Mantiqueira abrangendo uma área de 30.000 ha divididos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais onde ficam 60% do território. O relevo do parque é bastante diversificado entre
montanhas e elevações rochosas, com altitude variando de 540 a 2.791 m, no seu ponto culminante, com vegetação variando de mata atlântica a campos de altitude, essa diversidade contribui para biodiversidade do parque.
As atrações do parque são múltiplas: na parte baixa o atrativo são as trilhas de observações, as cachoeiras, lagos e o centro de visitantes com museu; já na parte alta estão os cumes, além Pico das agulhas Negras com 2.791m o terceiro mais alto do Brasil, encontram-se todos estes da lista abaixo, ou seja, atrativo para montanhistas, escaladores entre outros do gênero, um dos melhores do Brasil. A parte alta do parque também oferece algumas cachoeiras, nascentes e lindos lagos. Há também abrigos para os montanhistas, no entanto as vagas para se hospedar nestes são limitadas e super disputadas.
A parte negativa do parque é a presença de instalações humanas dentro do parque, desde a sua criação a situação fundiária do parque não foi resolvida. Mas mesmo com isso o parque é muito bem estruturado, sinalizado e claro,muito bonito, tanto na parte baixa como na parte alta.
2
Morro do Couto
2.680 m
3
Pedra do Sino de Itatiaia
2.670 m
4
Pedra do Altar
2.665 m
5
Pico Sem Nome (N 7525,8 / E 534,4)
2.650 m
6
Pedra da Coroa
2.640 m
7
Asa de Hermes
2.630 m
8
Pico da Maromba
2.619 m
9
Morro do Massena
2.609 m 
10
Pico Sem Nome (N 7525,1 / E 533,9)
2.600 m
11
Pedra Furada
2.589 m
12
Morro da Antena
2.585 m
13
Pico da Serra Negra
2.572 m
14
Morro Massena Noroeste
2.565 m
15
Pico de Prateleiras
2.548 m
16
Morro do Cristal
2.539 m
17
Pedra Cabeça de Leoa
2.483 m
18
Morro Maromba Sul
2.479 m
19
Pedra Assentada
2.453 m
20
Pedra Cabeça de Leão
2.420 m
21
Rochoso Ovos de Galinha
2.400 m
22
Morro do Camelo
2.318 m
23
Pico da Cara de Gorila
2.281 m
24
Morro do Urubu
2.270 m
25
Pico do Gigante
2.190 m
26
Cume do Gigante Deitado
2.180 m
27
Cume da Pedra do Ovo
2.085 m
28
Pico do Ovo
2.085 m
29
Pedra do Picu
2.050 m
30
Três Picos
1.652 m

Referências: www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/
http://www.destinotrilha.com/2011/04/trilha-do-pico-das-agulhas-negras.html
Paisagem da parte baixa do Parque Itatiaia

Cachoeira Véu de Noiva uma das mais bela da parte baixa 
Cachoeira Véu de Noiva 

Saíra-sete-cores ave encontrada na parte baixa do parque 
Serra Fina visualizada no caminho para a parte alta do parque 
Serra Fina visualizada no caminho para a parte alta do parque

Serra Fina visualizada no caminho para a parte alta do parque 
Início da estrada de terra que da acesso a Parte alta  
Alstromeriacea SPencontrada na parte alta do parque 
Erígio típico do parque  
Paisagem da parte alta 
Nascente do rio Campo Belo 
Adicionar legenda
Tico-tico se alimentando 
Pico das Agulhas Negras

Pico das Agulhas Negras
Pico das Prateleiras 
Pico das Prateleiras

Início da subida ao Pico das Agulhas Negras
Escalando o Pico Agulhas Negras
Sapo-flamenguinho (Melanophrynicus moreirae) animal símbolo do parque
Sapo-flamenguinho (Melanophrynicus moreirae) animal símbolo do parque
Adicionar legenda
Paredões do Agulha negra


Paredões. 

Pico das Prateleiras visualizado do Pico Agulhas Negras 
Alstromeriaceae sp 
Prateleiras 
Vegetação tipica
Vegetação tipica


Agulhas Negras 
Papa-mosca-de-costas-cinzenta (Polystictus superciliaris)
Agulhas Negras 
Agulhas Negras 

Paisagem local 

Alstromeriacea sp 
Sinallaxis sp