terça-feira, 9 de setembro de 2014

Fungos liquenizados (Liquens)


            Os liquens são associações simbióticas entre fungos e algas, onde as algas podem pertencer ao reino Monera, no caso das cianobactérias (antigamente chamadas de algas azuis), ou ao reino Protista, no caso das algas verdes. Já os fungos (reino Fungi) pertencem, em sua grande maioria, ao filo Ascomycota (98% dos liquens), com poucos representantes no filo Basidiomycota (Marcelli 2006).

            As algas verdes e cianobactérias realizam a fotossíntese, são chamadas de fotobiontes (foto = luz; bionte = ser vivo), enquanto os fungos constituem os micobiontes (mico = fungo) sendo assim os fungos não necessitam decompor a matéria orgânica para sobreviverem, pois as algas já realizam a fotossíntese. Por isso os liquens ou fungos liquenizados não agridem o seu hospedeiro no caso dos vegetais e são capazes de sobrevirem sobre rochas e até mesmo sobre alguns metais expostos ao tempo.

Ecologia

            Juntamente com as cianobactérias e musgos, os liquens cumprem o papel de pioneiros da colonização dos substratos abióticos e bióticos desprovidos de vida, fornecendo matéria orgânica para que outras plantas e animais possam se instalar e formar comunidades bem estabelecidas.

            Os liquens também servem de abrigo para insetos, protegem troncos de vegetais e prestam como matéria para ninhos de aves. Existem algumas espécies que são comestíveis, principalmente na culinária japonesa, porém isso é bem raro, há também, algumas espécies de uso medicinal, como Usnea densirostra Taylor, chamada popularmente de “yerba de la piedra” pelos uruguaios (Osório 1982). Já outras espécies são utilizadas como base para cosméticos e perfumaria e por fim são muito uteis como bioindicadores de qualidade de qualidade do ar por ser sensíveis compostos poluentes. (Spielmann 2006).

MARCELLI, M.P. 2006. Fungos Liquenizados. In: XAVIER FILHO, L., LEGAZ, M.E., CORDOBA,C.V. & PEREIRA, E.C. (Eds.). Biologia de liquens. Rio de Janeiro: Âmbito Cultural Edições Ltda, p. 23-74.

OSORIO, H.S. 1982. Contribution to the lichen flora of Uruguai XVII. The Scientific name of the “Yerba de la Piedra”. Phytologia 52 (4): 217-220.

SPIELMANN, A.A.  2006. Fungos Liquenizados (Liquens) Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente Programa de capacitação de monitores e educadores, São Paulo, 2006. p. 13.


Haematommataceae, disposto no tronco de árvore. 

Ninho de beija-flor construído basicamente com líquens.

Várias espécies de líquens corticícolas dividem espaço num tronco de árvore. 

Algumas plantas se beneficiam dos nutrientes fornecidos pelos líquens para se estabelecerem em ambientes inóspitos como rochedos.   

Normalmente líquens e algas são pioneiros na colonização vegetal e animal. 

Parmeliaceae 

Parmeliaceae 

Usneaceae 

Algumas espécies de líquens são consideradas bioindicadores de qualidade ambiental. 

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